Por que avaliar a CCS individualmente?

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O que é “CCS”? 

A análise do leite para identificar a Contagem de Células Somáticas (CCS) é fundamental para aqueles produtores que pretendem entregar leite com altíssima qualidade e também buscam maximizar a produção. As células somáticas, como o termo diz, são células do próprio organismo da vaca, compostas tanto das células que secretam o leite quanto das células de defesa (leucócitos). Em uma glândula mamária saudável, a maior parte da CCS será composta de células secretoras, havendo menor participação de leucócitos. Esta situação se inverte, relativamente, em uma glândula doente, e por isso o número de células aumenta expressivamente. 

Qual o padrão saudável de CCS?

Considera-se que uma glândula com 200.000 células somáticas é saudável. Portanto, a análise rotineira da CCS (a cada 15 dias) no rebanho é o melhor instrumento para a identificação precoce dos casos de mastite subclínica. Normalmente, esse teste é feito em nível de propriedade pelo CMT (California Mastitis Test), ou teste da raquete.

Mas, um artigo científico de 2004 que analisou quase 14 mil observações de 6 rebanhos em diferentes locais do Brasil, constatou que o aumento de CCS leva a perdas absolutas na produção de leite. Ou seja independem do nível de produção de leite da vaca, já a partir de uma contagem de 17.000 células/mL de leite. Os autores observaram que, em vacas multíparas (com mais de uma lactação) com uma CCS de 200.000 células/mL de leite já correspondia a perdas da ordem de 4,5 kg de leite/dia, chegando a 6,4 kg de leite/dia com uma contagem de 1.600.00 células/mL de leite.

Qual o impacto na variação de CCS na produção de leite?

Desta forma, identificar métodos que sejam rápidos, simples e com resultados precisos para serem realizados em nível de propriedade são fundamentais para que o produtor possa implementar ações imediatas para reverter o problema. Devemos levar em conta que o CMT, apesar de ser a forma mais comumente utilizada para a identificação das mamites subclínicas, apresenta problemas de resolução, e está na dependência da interpretação de quem realiza o teste. Igualmente, o envio de amostras para o laboratório para a estimativa da CCS, apesar de resultados precisos, resulta em demora para a obtenção da informação. Ao relacionarmos o resultado do CMT com a CCS sabemos que, mesmo para uma leitura na raquete de “zero” a CCS pode apresentar uma variação de 140 a 200 mil células/mL de leite, e as perdas serem da ordem de 5%. Com “dois positivos”, as perdas atingem 25%. Ao mesmo tempo, normalmente, enviamos uma amostra de tanque, ou no máximo uma amostra individual (composta dos quatro tetos) para o laboratório, assim, estas amostras sofrem um importante efeito de diluição e, portanto, não é possível afirmar sobre a situação específica de um determinado quarto mamário, mesmo que o resultado da amostra composta seja igual ou inferior a 200 mil células/mL de leite.

Assim, torna-se fundamental que o produtor tenha instrumentos para identificar, rapidamente, os animais acometidos de mastite e poder gerenciar a propriedade de forma a reduzir as perdas e obter um leite de altíssima qualidade.

Prof. Julio Viégas - Doutor em Zootecnia
Departamento de Zootecnia - UFSM
Coordenador Grupo de Estudo em Aditivos na Produção Animal
Fone: +55 55 32209402
julio.viegas@ufsm.br

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