O programa de 6 pontos no manejo e seu impacto na produtividade

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Uma das medidas que revolucionou a pecuária leiteira nos Estados Unidos e, igualmente, em outros países foi a adoção do Programa dos Cinco Pontos para o controle das mastites, o qual, posteriormente, evoluiu para o Programa dos Seis Pontos.  A adoção deste programa resultou em redução dos casos de mastites e aumento na produção de leite, com consequente melhora na rentabilidade da atividade. As mastites, tanto clínicas quanto subclínicas, são infecções comuns da glândula mamária que, quando não controladas resultam em perdas substanciais na produção leiteira, muitas vezes até inviabilizando financeiramente a atividade. 

O Programa de Seis Pontos é extremamente simples, mas determina uma mudança na gestão da propriedade e, em última análise, na mudança de comportamento por parte do produtor rural. O programa determina a adoção das seguintes ações: 

1- Realizar a manutenção da ordenhadeira mecânica mantendo-a sempre em bom estado de funcionamento

Algo tão básico, devido aos custos envolvidos, muitas vezes é negligenciado pelos produtores. Mas revisões semestrais, ou mesmo mensais, dependendo do tamanho do rebanho, deveriam ser interpretadas como rotineiras pelos produtores. A adequada limpeza e higienização dos equipamentos é fundamental, e a definição de uma linha de produtos de limpeza de qualidade é prioridade. A falta de controle do nível de vácuo e da taxa de pulsação acarretam em aumento na ocorrência de mastites e, não menos importante, no aumento do número de tetos com prolapso de canal. A troca de todos os elementos de borracha, ou silicone, que entram em contato com os tetos e com o leite é imprescindível, obedecendo sempre as especificidades apontadas pelos fabricantes em termos de limite de ordenhas. Devemos sempre lembrar que borrachas ressecadas e que perderam sua flexibilidade, sobretudo os insufladores, acabam por se tornar reservatórios de patógenos causadores de mastites. Este, talvez seja o aspecto mais negligenciado pelos produtores que, imaginando estarem economizando, acabam dobrando a vida útil destes elementos, levando à prejuízos imensos. Em caso de dúvida, chame sempre a assistência técnica.

2 – Correto manejo da ordenha

O processo de ordenha e a importância do entendimento da finalidade de cada etapa deve ser do conhecimento de todos que estão envolvidos neste processo. Os responsáveis pela ordenha deverão sempre ser parceiros dentro da atividade leiteira. Uma ordenha rápida, profunda e eficiente é fundamental para o incremento e manutenção da produção, diminuindo igualmente o leite residual e os casos de mastite. As vacas deverão sempre associar a ordenha com um momento em que, aliviarão a pressão intramamária, e que esta será conduzida em um ambiente sem estresse, fundamental para o processo correto da ejeção do leite.

3 – Tratamento imediato de todos os casos de mastite clínica

Apesar de que a ocorrência de mastites clínicas ser baixa nos rebanhos leiteiros, tão logo sejam detectadas devem ser tratadas com a terapia indicada pelo médico veterinário. A demora no tratamento poderá não só representar perdas de importantes volumes de leite, mas até mesmo a perda do próprio animal, visto que a evolução da enfermidade é muito rápida. Além disto, a manutenção de animais com mastite clínica sem tratamento resultam em aumento dos patógenos causadores desta doença no ambiente de ordenha. O produtor deverá sempre respeitar o prazo de carência dos produtos utilizados, evitando ser penalizado pela indústria devido a presença de antimicrobianos no leite.

4 – Realização da Terapia da Vaca Seca

Esta consiste na aplicação de antibiótico específico para vacas secas, de longa duração, em todos os quartos mamários, no início do período seco, tão logo tenha sido realizada a última ordenha. A vaca não deverá ser novamente ordenhada, pois a eficácia do produto será prejudicada. O produtor deverá sempre verificar a indicação estipulada pelo médico veterinário. Não necessariamente é obrigatório o uso de alopatia (antibióticos), mas tal decisão e orientação deve estar a critério do técnico responsável pela sanidade do rebanho. Lembramos que, como regra geral, todas as mastites subclínicas serão tratadas no período seco, portanto, a Terapia da Vaca Seca se justifica, determinando aumentos na produção nas lactações subsequentes. Ao identificarmos animais com mastite subclínica ou clínica, estes animais deverão obrigatoriamente ir para o final da linha de ordenha, assim, esta informação é fundamental para o rigoroso atendimento do primeiro ponto deste programa.

5 – Desinfecção obrigatória dos tetos após a ordenha 

A realização da pós-desinfecção (pos-dipping) com um produto de eficiência comprovada é imprescindível para o controle das mastites contagiosas, ou seja, das mastites subclínicas. O objetivo desta prática é diminuir a quantidade de bactérias na superfície do teto que fica aderida após a retirada da teteira, impedindo que estas migrem para o interior da glândula mamária. As mastites subclínicas, pelo número de animais normalmente acometidos no rebanho, determinam os principais prejuízos econômicos da atividade leiteira, seguidas, provavelmente, pelas doenças metabólicas no início de cada lactação. O produto aplicado após a ordenha deve ter uma excelente aderência ao teto e apresentar baixo gotejamento. A observância de uma boa cobertura do teto é fundamental para a ação adequada do produto. Atenção: apesar da pré-desinfecção (pre-dipping) ser opcional, entende-se que no nível tecnológico atual da pecuária leiteira no Brasil ela deve ser sempre observada.

6 – Descarte de vacas com mastite crônica

Apesar de ser uma prática tão simples e, portanto, a mais fácil de ser realizada, parece ser a que apresenta a maior resistência por parte dos produtores. Muitos são os motivos para tal comportamento, tais como o impacto econômico da perda de uma vaca, a falta de animais para reposição ou até mesmo o apego pelo animal. Apesar de não querermos “coisificar” este animal incrível que é a vaca de leite, o produtor, ao mesmo tempo, não pode ser colecionador de vacas. Neste sentido a observância da reposição de animais com taxas entre 20 e 25% ao ano, são fundamentais para manter a CCS baixa no rebanho, pois sabe-se que animais velhos apresentam leite com altas CCS. No caso das mastites crônicas, a situação é ainda mais grave, pois este animal acaba por ser um reservatório importante de bactérias causadoras de mastite dentro do rebanho, disseminando-as para os demais animais.  

Por fim, a implementação de um programa sério de controle das mastites e que sabidamente resulta em rápidos benefícios financeiros é crucial para a produção de um leite de qualidade e, igualmente, para a viabilidade na atividade leiteira. Fale a respeito disto com o seu técnico, seja ele zootecnista, veterinário ou agrônomo, estabeleça um plano racional e colha os resultados. Você certamente ficará impressionado.

Prof. Julio Viégas

Doutor em Zootecnia 

Departamento de Zootecnia – UFSM 

Coordenador Grupo de Estudo em Aditivos na Produção Animal 

Fone: +55 55 32209402

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