A REALIZAÇÃO DO TESTE DA CANECA DE FUNDO PRETA É OBRIGATÓRIA A CADA ORDENHA?

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Entenda neste artigo como é feito e quando é necessário a realização do teste da caneca.

Não. Por mais que esta resposta possa chocar alguns produtores e mesmo técnicos, o teste da caneca de fundo preta não precisa ser realizado a cada ordenha, podendo ser realizada em apenas uma ordenha do dia, e podendo mesmo não ser realizado.  Claro que a realização deste teste, tão simples, tem grandes vantagens:

  1. Identificação rápida dos casos de mastite clínica;
  2. Obtenção de um leite com melhor qualidade;
  3. Estabelecimento da ordem de ordenha.

Leite de melhor qualidade?

Sim, temos que ter claro que o leite mais contaminado, ou sujo, está presente na cisterna do teto. Este leite é o primeiro a sair, e sai totalmente quando realizamos o teste da caneca de fundo preto, ao retirar os três primeiros jatos de cada teto. Algumas propriedades não fazem o teste, mas descartam os três primeiros jatos de cada teto diretamente no piso da sala de ordenhas. Outras propriedades tem o piso da sala preto, e fazem o teste rapidamente no piso. Eu, pessoalmente, desaconselho estas práticas, pois podemos estar disseminando patógenos ambientais no ambiente da ordenha, ou seja, podemos acabar aumentando os casos de mastite clínica no rebanho. Mas, como vimos, o descarte destes primeiros jatos, sabidamente, diminui a CPP no resfriador, o que é uma grande vantagem para o produtor, principalmente se ele tem chances de receber uma bonificação por qualidade.

Mas como vamos identificar a mastite clínica sem realizar o teste da caneca de fundo preto?

Antes de continuar, é necessário alertar que para não realizar o teste é fundamental que a ordenhadeira mecânica tenha um filtro no final da linha do leite, antes do leite ir para o resfriador. Já trataremos sobre a importância deste detalhe. 

Quando realizamos o teste da caneca de fundo preto, queremos contrastar o branco do leite com o preto da caneca, assim, fica mais fácil observar alterações macroscópicas do leite. Presença de pus, sangue, coágulos e grumos são os sintomas clássicos da mastite, e como há sintomas estamos falando de mastite clínica, ou ambiental. Contudo a vaca apresenta outros sintomas além dos observados no leite. Se uma das quatro glândulas mamárias do úbere está inchada, avermelhada, com febre, endurecida (empedrada) e mesmo com sensibilidade ao toque (dor), bem provavelmente este animal está com mastite clínica. Todo bom ordenhador conhece muito bem seus animais, portanto, reações de dor são facilmente identificadas, além de outros comportamentos não normais das vacas. Se ele percebe esta situação no preparo da vaca para a ordenha, ele já pode sanar essa dúvida fazendo rapidamente o teste da caneca de fundo preto nesta vaca, mas sem necessidade de fazer em todo o rebanho. 

Vejam que o manejo da ordenha fica mais racional e rápido, pois o teste toma tempo na ordenha para ser realizado. Em pequenos rebanhos este ganho não é perceptível, mas em rebanhos médios a grandes, a realização do teste é praticamente inviável. Você já imaginou fazer o teste em um rebanho com 500 vacas, ou mais, em cada ordenha?

E o filtro do leite?

O filtro irá filtrar todo o leite ordenhado e extrair possíveis sujidades. A análise adequada e apurada do filtro após a ordenha é imprescindível, pois fornece informações interessantíssimas. A primeira é quanto à qualidade do ambiente em que os animais estão alojados. A outra situação se refere à limpeza, pré-desinfecção e secagem dos tetos, ou seja, se o preparo dos animais na ordenha está sendo bem conduzido. Se o filtro está ficando muito sujo após a ordenha é sinal de que o ambiente de alojamento e a qualidade da ordenha estão deixando a desejar em relação às boas práticas de produção. Neste sentido, propriedades que fazem uma análise do escore de sujidade dos filtros, expondo-os sequencialmente ao longo dos dias, consegue diagnosticar falhas no processo mais rapidamente, e treinar melhor o pessoal envolvido no trato com os animais.

Por outro lado, todas aquelas alterações do leite que podemos identificar no teste da caneca, podem estar presentes também no filtro do leite. Mas vejam que, se eu identifiquei pus, sangue, coágulos ou grumos no filtro, eu ainda não sei qual animal está com mastite, mas sei que pelo menos uma vaca no rebanho está doente. A partir desta informação, se não foi possível identificar a vaca pelos outros sintomas, na próxima ordenha, então, iremos realizar o teste da caneca de fundo preto em todos os animais. Nesta situação, você perdeu apenas 8 ou 12 horas para saber qual vaca estava doente.

Em alguma situação o teste da caneca de fundo preto deve sempre ser realizado antes de cada ordenha?

Não diria necessariamente que deve, como uma obrigação, mas não realizar seria perder uma oportunidade, e que, realizar o teste não traria muito desconforto para o ordenhador, ou perda de tempo para a ordenha. Em pequenos rebanhos, e, principalmente, em propriedades em que não há filtro, como com o uso de transferidor ou balde ao pé, não há razão para não realizar o teste. A outra situação é quando a ordenha é realizada manualmente, ora, se você já irá colocar a mão no teto das vacas para ordenhar, aproveite e faça o teste, até porque nestas situações o rebanho também é pequeno.

Finalmente, observem que, realizar o teste da caneca de fundo preto de forma direcionada, quando há uma suspeita real de mastite clínica, é uma situação bem mais racional e mais cômoda que realizar o teste antes de cada ordenha, ou mesmo, uma vez por dia. Além disto, o produtor deve ter consciência de que em condições de boas práticas de produção de leite, a ocorrência de mastite clínica é baixíssima, diríamos, na ordem de 1% das vacas apresentam, ou mesmo menos que isso, ao longo do ano. Tanto que muitos produtores dizem que o seu rebanho não tem mastite a muitos anos. Não que eles estejam mentindo, mas na verdade se referem somente a mastite clínica, e por não conhecerem ou mesmo não diagnosticarem a mastite subclínica. 

E a mastite subclínica como vamos diagnosticar? Bem, isto é assunto para uma outra conversa!

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